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El Ojo 2014

Chacho Puebla fala sobre seus fracassos

20.11.14


O argentino Horácio "Chacho" Puebla, sócio e CCO da Lola, na Espanha, falou sobre os fracassos que já enfrentou na vida e na carreira, em palestra do segundo dia de El Ojo de Iberoamerica, em Buenos Aires. O título da apresentação era "Mirame fallar miserablemente".



Bem-humorado e muito brincalhão, rindo de si mesmo, destacou alguns projetos pessoais que deram errado, não fizeram muito sucesso ou não aconteceram como ele esperava, como um livro chamado Quilombo, que fez para sua cidade natal, Mendoza, e uma experiência metade virtual, metade ligada à vida 'real', que previa a entrega de cartas a 12 pessoas desconhecidas, sendo ele a décima-terceira pessoa, e as convidava a entrar em um endereço digital para ver uma foto e depois interagir, chamada Suerte & Destino. Também destacou o que considera ser outro de seus fracassos: sua incapacidade de perder a barriga. Por fim, falou dos erros que enfrentou ao abrir uma filial da Lola em Barcelona. Erros que estão sendo acertados aos poucos. 



Tudo isso para sublinhar que, antes de tudo, se aprende muito com os problemas, insucessos, fracassos e erros. E todos esses lhe ensinaram bastante. Por exemplo, com o projeto Suerte & Destino ele descobriu que as pessoas têm, em geral, muito medo do desconhecido. Com sua dificuldade em perder a pequena pança, aprendeu que não adianta ficar reclamando se não está, de fato, dando tudo de si para alcançar esse objetivo: "Se não dá tudo de si, não pode se queixar", destacou, exemplificando com o fato de que não vai deixar de beber vinho com os amigos por que está de dieta, e não vai deixar de comer uma milanesa com seus pais porque está de regime. Na verdade, olhando bem, na maioria das vezes se descobre que essa barriga não está tão ruim assim. É preciso parar de reclamar tanto e ver tanto problema onde, em muitos casos, não há.



Com os desgastes na Lola, aprendeu que as coisas não iam tão bem no começo porque não havia uma 'cultura' própria à agência. E isso é muito importante para que o clima seja bom e qualquer empresa dê certo: ter sua própria cultura, identidade, fazer com que as pessoas que ali trabalham de fato gostem e se identifiquem com ela, aprendam a valorizá-la e a defendê-la.



"Podemos escolher os móveis mais bacanas, os lustres mais modernos, toda tecnologia disponível, mas cultura não se compra, é preciso construir", destacou



Ele falou também sobre outro aspecto da agência: ela dá 'total liberdade aos funcionários'. "Todos têm 100% de liberdade para fazer o que quiserem. E o interessante é notar o quão difícil é lidar com toda essa liberdade. Estamos acostumados com 'nãos' e com tapinhas nas mãos. Quando ganhamos liberdade total, perdemos a chance de usar as disculpas usuais, como 'não foi aprovado', não deixaram', 'barraram'. Então, descobrimos que a liberdade dá muito medo e estamos tratando de enfrentar esse medo".



Chacho disse ainda que tendemos a construir hoje o modelo de "winners x losers", o que gera uma "crise do êxito", que deve ser enfrentada partindo do princípio de que todos passam por fracassos e que o que não é êxito para um, pode ser para outro. Encarar isso com naturalidade tira muito do sofrimento e desgaste pelos quais as pessoas passam desnecessariamente nos dias de hoje. E viva a barriguinha.


El Ojo 2014

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