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O espaço é seu

O que vejo nas cadeiras confortáveis (por Arthur Petrillo)

09.02.15

É muito fácil nos perder durante os dias de trabalho e não ter a visão da coisa toda de onde estamos e de qual é o nosso papel dentro das estruturas pelas quais trabalhamos. A rotina é a grande culpada pela perda do foco maior - nosso crescimento como gente e como profissionais.

O objetivo vira a busca capenga por uma cadeira com regulagens básicas de altura e inclinação perfeitas e extremamente confortável, onde podemos ficar sentados e fazer aquilo que o ocupante anterior já fazia. Só que com nossa assinatura: o ego. E, pra maioria das pessoas, esse é o objetivo: uma posição confortável e genérica pra caramba onde podem ficar pelo maior tempo que aguentarem, até que venha a próxima cadeira com um trem a mais que a atual não tem.

E eu sempre preferi cadeiras com as rodinhas um pouco zoadas ou com o encosto pendendo pra um dos lados. Daquelas que muitas pessoas usam por um tempo limitado e vivem reclamando com a cara feia. Ou fazem com que virem outras, com o formato ideal das suas bundas, inclinação impecável, estofado cheirando a carro novo. E ficam perfeitas para fazer coisas completamente diferentes do que as outras pessoas vêm fazendo. O que pega é: essas são confortáveis só pra gente. Nos tornamos dignos daquele assento e não adianta tentar usar uma delas quando ninguém tá vendo, e fazer de conta que é sua.

E é do lado dos donos das cadeiras mais bizarramente únicas que eu procuro estar. Repito: do lado. A gente vai aprendendo como construir a nossa cadeira nesse caminho. E no fundo sempre bate a insegurança de que nunca vamos conseguir chegar lá. E é bem capaz que não. Mesmo. Mas olha pro lado e vê que aqueles que admiramos também estão sempre experimentando mudar de posição, mesmo nas cadeiras que achamos ter as medidas perfeitas para eles.

Por Arthur Petrillo - Diretor de Criação na Ampfy e Professor na Miami Ad School

O espaço é seu

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