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Pós-verdade

Facebook acirra guerra contra notícias falsas

21.11.16

Na era da pós-verdade, termo definido como sendo a palavra do ano pelo Dicionário Oxford, a profusão de notícias falsas pela internet atingiu um ponto que levou Mark Zuckerberg, o chefe do Facebook e do WhatsApp – duas plataformas fartas de boataria e mentiras para enganar incautos –, a fazer um pronunciamento na forma de post. Na noite da sexta-feira 18, mal acabava de desembarcar em Lima (Peru) para uma conferência, Zuckerberg escreveu que muita gente tem perguntado a ele o que está sendo feito a respeito da desinformação.

Antes, vale esclarecer o significado de pós-verdade. A palavra se aplica em circunstâncias nas quais os fatos objetivos são menos influentes para a formação da opinião pública do que as emoções e crenças pessoais. Os organizadores do famoso dicionário explicaram que o uso do termo cresceu no contexto do referendo britânico sobre a União Europeia (Brexit) e nas eleições presidenciais dos EUA, que culminaram com a vitória do republicano Donaldo Trump. A primeira vez que “pós-verdade” foi empregada foi em 1992, durante a primeira Guerra do Golfo, na revista The Nation por Steve Tsich, produtor e sócio-dirigente do New York Giants, que lamentou que “nós, como povo livre, decidimos livremente que queremos viver em uma espécie de mundo da pós-verdade”. Em outras palavras, um mundo no qual a verdade não é mais tão importante.

Nos últimos dias tem sido intenso o debate em torno da desinformação e da circulação de notícias falsas. O Google havia anunciado que sites que difundissem boataria e conteúdo mentiroso não seriam beneficiados pela publicidade. O Facebook havia feito o mesmo, e até Zuckerberg já tinha se pronunciado, via Facebook Live, a esse respeito. A rede vinha sendo acusada de ter influenciado nas eleições americanas por ter “difundido” notícias falsas, favorecendo Trump. Entre elas, o suposto apoio do papa Francisco ao republicano.

Agora, Zuckerberg retornou ao tema para explicitar as medidas adotadas pelo Facebook. “Nós levamos muito a sério a desinformação. Nosso objetivo é conectar pessoas com histórias nas quais elas encontrem significado. Sabemos que as pessoas querem informação acurada. Temos trabalhado nesse problema há um bom tempo e assumimos essa responsabilidade muito seriamente. Fizemos significativos progressos, mas há mais trabalho a ser feito”.

No post, ele diz que historicamente a empresa tem confiado na própria comunidade no sentido de os usuários ajudá-los a entender o que é falso. Como Zuckerberg afirma, qualquer um pode denunciar um link falso ou recorrer a sites que desmascaram boatos, como Snopes. Mas o problema é complexo, tanto do ponto de vista tecnológico quanto filosófico, argumentou. “Temos de ser cuidadosos para não desencorajar o compartilhamento de opiniões ou para não restringir erroneamente conteúdo acurado. Não queremos ser juízes da verdade, mas, ao contrário, queremos acreditar na nossa comunidade e confiar nos parceiros”.

O CEO do Facebook crê que a quantidade de notícias falsas é relativamente pequena frente ao conteúdo postado diariamente na plataforma. Mas, dada a importância do assunto, ele resolveu compartilhar com os usuários alguns dos projetos que estão sendo desenvolvidos:

- intensa detecção. “A coisa mais importante que podemos fazer é melhorar nossa capacidade de classificar a desinformação. Isso significa melhores sistemas para detectar o que as pessoas vão identificar como falso”;

- facilidade para reportar. A plataforma está trabalhando para que isso seja mais fácil e rápido quando alguém identificar uma história falsa;

- verificação por terceiros. “Há muitas organizações respeitadas que fazem uma checagem de fatos. Estamos planejando aprender com mais”;

- alertas. “Estamos explorando a identificação de histórias sinalizadas como falsas por parceiros ou pela comunidade, mostrando avisos quando as pessoas forem ler esse conteúdo ou compartilhá-los”;

- qualidade dos artigos relacionados. A proposta é melhorar a exibição dessas histórias no News Feed;

- interrupção de notícias econômicas falsas. “Muitas das desinformações estão vinculadas a spams de motivação financeira”. A ideia é barrar esse conteúdo por meio de bloqueio de publicidade e outras formas de detecção;

- escutar. “Vamos continuar a trabalhar com jornalistas e outros profissionais da imprensa para obter seus inputs e, particularmente, para entender melhor como são seus sistemas de checagem de fatos e aprender com eles”.

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