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O país tem quantos corredores? E provas? Agora existem dados oficiais
As corridas de rua estão cada vez mais populares no Brasil. Antes, não se sabia ao certo quantos são os corredores regulares, os que saem ao menos uma vez na semana para dar passadas rápidas pelas cidades. Quanto às provas, outra dúvida. Muitos números foram chutados. Mas agora a Associação Brasileira dos Organizadores de Corrida de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo) e a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) contam com dados oficiais. O país tem 13 milhões de corredores, uma população que supera a de alguns países europeus.
Desses 13 milhões, 23% participam de provas. Ou seja, são 3 milhões os que se aventuram em circuitos de norte a sul do país. Esses e outros dados foram apresentados no 3º Summit das duas entidades, organizado em São Paulo. O encontro discutiu desafios do setor, entre eles o da regulamentação das corridas. Isso porque a maioria dos organizadores de eventos não busca uma autorização obrigatória por lei, chamada de permit, que é uma forma de garantir que a corrida está cumprindo medidas de segurança.
O diagnóstico foi possível porque, pela primeira vez, a Abraceo e a CBAt fizeram um levantamento, estado por estado, junto às federações de atletismo, para saber quantas provas com permit foram realizadas nos últimos dois anos. Os dados foram organizados pela jornalista Silvia Herrera, especialista na área.
Corridas avançam, mas precisam de mais profissionalização
Em 2024, os eventos regulamentados – que obtiveram as autorizações com as federações –, foram 2.827, um crescimento de 29% sobre o total do ano anterior (2.186).
No entanto, uma plataforma de inscrições que é referência do mercado, a Ticket Sports, fez o cálculo das corridas de rua cadastradas no ano passado: 8.378. Responsáveis pelas vendas de inscrições, as tiqueteiras têm a dimensão dos eventos, mas não têm as informações de quais têm permit.
A diferença de números, uma variação de 66%, mostra o tamanho do desafio que o mercado de corridas de rua enfrenta. Que passos tomar a partir desses resultados? O diretor institucional da Abraceo, Paulo Carelli, disse que o trabalho agora é profissionalizar o setor e entender os diferentes perfis de prova que são realizadas no país – o que pode explicar por que alguns organizadores não buscam o selo.
Uma das causas possíveis, segundo Carelli, é o simples desconhecimento. Não apenas das empresas que promovem corridas, como também das esferas de governo.
Para Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports, uma das tarefas é deixar claro a importância de o organizador buscar a autorização para a realização da prova junto às federações. “A gente precisa explicar bem o valor de se obter o permit”, recomendou.
O presidente da CBAt, Wlamir Motta Campos, salientou que o selo é uma obrigação definido por lei e que está no Código Nacional de Trânsito. "A lei existe para proteger o cidadão, para assegurar a integridade física do corredor, garantindo a oferta de água, a presença de uma ambulância".
Krutman trouxe dados de um estudo encomendado pela Ticket Sports sobre o universo da corrida. Um deles revela que existem em torno de sete mil empresas organizando corridas de rua. Dentre as provas cadastradas na tiqueteira nos últimos 18 meses, 14,84% tinham como responsável não um CNPJ, e sim um CPF.
Veja outros dados a respeito dos corredores e das provas de rua mais abaixo
Em busca de patrocínio
Outro tema essencial para o mercado é a obtenção de patrocínios. Muitos organizadores se queixam de ter até um bom volume de participantes em seus eventos, mas não conseguem atrair a atenção das marcas. Onde está a falha?
Para ajudar as empresas, as entidades convidaram Gustavo Herbetta, ex-diretor de marketing do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que apresentou o case do projeto Time Brasil, que surgiu para o ciclo olímpico que culminou nos Jogos de Paris, no ano passado. Em praticamente dois anos e meio de trabalho, a entidade teve o apoio de 21 marcas, 16 a mais do que conseguiu na edição anterior. Com isso, o COB teve um faturamento de R$ 443 milhões.
“Não há uma fórmula mágica”, ressaltou, explicando que as atividades esportivas têm de saber explorar seus valores ao criar projetos para as marcas. Segundo Herbetta, se os organizadores resolverem bater na tecla da “visibilidade”, o anunciante tem diversos elementos de comunicação para utilizar. Mas se o assunto for “conexão”, o esporte proporciona grandes oportunidades.
“Os protagonistas são mais do que celebridades. São lendas, são mitos. O esporte é feito por super heróis, é feito de superlativos. É humano, é inclusivo. Por isso, as marcas ligadas ao esporte estão entre as mais amadas. São clubes de futebol, times da NBA. Esses valores geram fidelização”, comentou Herbetta.
Uma orientação é que as promotoras de corridas saibam criar seus produtos. E façam apresentações. Como afirmou Herbetta, as empresas recebem centenas de projetos. Enviar a ideia não garante nada, portanto. É preciso defender a proposta. “Apresentação se apresenta”, declarou.
No caso do COB, foi criado o Time Brasil, que é a união das seleções brasileiras nas modalidades olímpicas. Foi desenvolvida uma campanha que trazia um manifesto, o “Manda Brasa”, linguagem que se conectava às novas gerações. E, para ir além dos amantes tradicionais do esporte, o comitê buscou um formato que atraísse a atenção da geração Z, como o podcast Podpah. Foram feitas parcerias com a CazéTV, a Play9, o YouTube e o WhatsApp, onde foram veiculadas mensagens por áudio dos atletas. Outra novidade foi a organização de uma fanfest.
Raio-X
- Entre os participantes de eventos de corridas de rua, 48% são da classe B; a classe C vem em seguida com 33%.
- A participação das mulheres mudou nos últimos anos. Em 2017, elas representavam 53% dos inscritos. Em 2019, esse índice caiu para 46%. Em 2021, passou para 47%. No ano passado, elas encostaram, chegando a 49,9%. Há novas provas exclusivas para mulheres surgindo.
- Entre 2023 e 2024, houve um significativo crescimento do público jovem (15 a 25 anos). Antes essa faixa etária não chegava a 8% de participação. Agora está quase em 11%. Mas o grande público da corrida está entre os 36 e 45 anos (30,6%).
- Por regiões, o domínio é do Sudeste, com 51% dos eventos. A boa notícia é que as corridas cresceram bastante no Nordeste. Em 2023, a região respondia por 10,7% das provas. Agora, 22,3%. Outro dado mostra o potencial turístico das corridas: 48% dos atletas participaram de um evento fora de sua cidade.
- A respeito das motivações, 83% correm para cuidar da saúde como um todo (física e mental). Sobre hábitos, 43% correm antes das 8h da manhã, enquanto 41% escolhem os horários entre 18h e 20h. A distância média percorrida é 13km.
- Dos corredores que ainda não disputaram uma prova, 49% têm interesse em participar. Mas 44% não se sentem preparados. Além disso, 30% dos praticantes preferem correr sozinhos e 17% acham os preços das provas muito altos.
Clube de Criação 50 Anos