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Games podem promover ressignificação social
Que a rica indústria de games e eSports já provou que não está para brincadeiras, está mais do que claro. Mas que ela pode ser um caminho de ressignificação social, isso ainda não está tão evidente. O Festival do Clube de Criação 2023 reuniu um grupo de especialistas e empreendedores para tratar desse tema no painel “Games + eSports: o boom vindo da periferia”.
A mesa teve a moderação de Vicky SM, ativista antirracista, apresentadora, caster de eSports e criadora de conteúdo. Ela contou como seu processo de inclusão social passou pela indústria dos games. “Foi interessante como isso mudou minha trajetória; o mais complicado foi explicar para o meu pai como eu estava ganhando dinheiro pela internet, falando para mais de dez mil pessoas”, lembrou.
Segundo Vicky, é importante que as empresas percebam o valor de se investir nessas atividades. “No meu caso, a Vivo foi fundamental, me proporcionando a chance de desenvolvimento em novos ambientes”, frisou.
De acordo com Ricardo Chantilly, sócio-fundador da AfroGames, outro convidado do painel, essa é uma realidade contemporânea inegável. Segundo ele, não se trata de filantropia ou caridade, mas de investimento com rápido retorno.
Seu projeto desenvolve atividades em quatro favelas do Rio de Janeiro. No final do ano passado, a partir de uma game jam idealizada pelo Giga Gloob, numa parceria com o Globo Esporte, surgiu o jogo “Passe das Estrelas”, que quebrou paradigmas e apresentou personagens negros. “Quem o idealizou foi uma garota negra de 13 anos, num esforço de produção em Vigário Geral”, relatou Chantilly.
De acordo com ele, o mundo dos games pode mudar realidades para as favelas e periferias, gerando educação e inserção social. Ele citou os benefícios compartilhados com a ONG Afroreggae em recentes parcerias na área de formação em eSports. “É um espaço de atividade que pode, por exemplo, trazer de novo ao cenário social um ex-dependente de crack”, relatou.
Victor Garcez, fundador da Vision03 Studio Games, discorreu sobre a influência dos jogos na construção de novas visões da realidade social. Ele é criador do game “A Cura”, em que o protagonista é um jovem negro, salvando o mundo em uma aventura na avenida Paulista. “A gente pode mudar modelos, porque muitos jogos são sobre matar e destruir”, refletiu. “Mas a gente pode construir realidades em que o objetivo seja curar e salvar pessoas”.
Ele se disse feliz por criar realidades eletrônicas que podem incluir também as pessoas com deficiências, como seu irmão. Para Garcez, o desafio é criar linguagens e roteiros que sejam facilmente compreendidos e que permitam interação ativa entre as pessoas.
Garcez afirmou ainda que a indústria precisa mudar sua visão e privilegiar as mentes geradas no ambiente da diversidade. “Quando faz, a favela faz bem feito”, enfatizou.
O cientista da computação Allan Jefferson, criador do famoso Bomba Patch, contou sua longa trajetória para se firmar como um desenvolvedor de games. Relatou como foi difícil conseguir um primeiro computador. O pai empenhou parte do salário para comprar um aparelho velho da empresa em que trabalhava. Outra dificuldade foi conseguir uma conexão de internet nos tempos em que morava no interior da Paraíba. Jefferson encantou a plateia ao relatar como ludibriou um padre para instalar uma antena de transmissão na torre de uma igreja, numa cidade interiorana.
O Bomba Patch é um conjunto de “mods” da série de jogos eletrônicos do Pro Evolution Soccer.
Jefferson detalhou ainda o esforço enorme para registrar e editar 31 mil arquivos de áudio com o objetivo de reproduzir as falas do narrador esportivo Galvão Bueno. Segundo ele, fazer acontecer na área depende de muito esforço, criatividade e inventividade.
“Mas tudo é possível, mesmo quando a gente não tem recursos adequados”, salientou. “Esse é um espaço de comunicação e de protagonismo, que pode ser cada vez mais ocupado pelo povo da periferia”, defendeu.
Walter Falceta
11º Festival do Clube de Criação
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