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Dá para falar com quem pensa diferente sobre gênero?
Um estudo feito em conjunto pelo Instituto Avon e a plataforma Papo de Homem revela que 70% dos brasileiros acreditam que conversar sobre temas de gênero com quem pensa muito diferente é positivo, mas somente 20% buscam ativamente esse diálogo. Entre os obstáculos, o principal é a agressividade das conversas, apontado por 64% dos entrevistados do PdH Insights, braço de pesquisa do Papo de Homem. Em seguida estão radicalismo e falta de energia.
Esses são resultados do estudo “Derrubando muros e construindo pontes: como conversar com quem pensa muito diferente de nós sobre gênero?”, que ouviu mais de nove mil homens e mulheres entre 18 e 59 anos pelo Brasil. Outro dado importante indica que 60% dos entrevistados compreendem o significado de feminismo, definido como “movimento necessário de defesa por direitos e oportunidades iguais para homens e mulheres”. Entre mulheres homo e bissexuais esse índice chega a 81%.
Quem diz não saber o que é feminismo representa um índice inferior a 1%, porém mais de 16% confundem o significado. São pessoas que optaram pelas respostas “defesa de superioridade das mulheres sobre os homens” ou “o oposto do machismo”.
Também foi identificado que mulheres não heterossexuais jovens são as que mais ativamente conversam com quem pensa diferente. Elas integram um dos três grandes perfis da população que foram identificados pela pesquisa ao analisar o comportamento em relação aos temas de gênero. Esse grupo é o formado por “construtores de pontes”. São pessoas que acreditam muito no diálogo como ferramenta de transformação. Elas consomem conteúdos contra e a favor de seus pontos de vista. Os “construtores de pontes” representam 15% dos brasileiros.
Outro grupo foi chamado de “em trânsito”, que representa 50% da população. São indivíduos com níveis intermediários de busca por diálogos. Nem sempre são pacientes para travar essas conexões. Eles se cansam mais com as conversas, no entanto costumam sentir alegria se conseguir compartilhar algo que a outra pessoa ainda não sabia.
A terceira divisão de perfis é a dos “entre muros”. Dos entrevistados, 35% fazem parte desse grupo. São aqueles que optam por não manter conversas com quem não tem a mesma opinião. Evitam conteúdos que contrariem suas crenças e acreditam menos no diálogo como impulsionador de mudanças.
A região Sul é a que possui a maior porcentagem de “entre muros”. O Nordeste possui a maior concentração de pessoas “em trânsito”. E o Norte concentra o maior número de “construtores de pontes”, apesar de ser a região que menos apoia o feminismo, conforme a pesquisa.
“Existe uma ideia generalizada de que é cada vez mais difícil tentar conversar com quem tem uma opinião avessa à nossa, mas escutar milhares de pessoas em todo o país indica que, na verdade, é o oposto: os brasileiros estão dispostos a dialogar com quem pensa diferente”, declara Mafoane Odara, ativista e coordenadora do Instituto Avon. De acordo com ela, é preciso criar espaços e oportunidades de diálogo para que a transformação ocorra.
“Conversar com quem pensa diferente é trabalhoso, requer prática e persistência, mas, como mostram os números, não só é benéfico, mas desejado por metade da população”, afirma Guilherme N. Valadares, fundador do Papo de Homem. A plataforma disponibiliza o estudo para download (acesse aqui).
Entre as orientações para quem busca diálogo, estão não esperar sucesso nas primeiras tentativas, pensar que o processo se equivale a uma maratona (e não a uma corrida curta), checar se está emocionalmente preparado para o diálogo, evitar ironias e não ter vergonhar de falar que não sabe.