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Globo: 194 títulos em 2022 com o mercado independente
Em painel no final do segundo dia da Rio2C, a Globo lotou a principal sala do evento para mostrar o que está produzindo e com que parceiros está trabalhando para entregar conteúdo por meio de suas diferentes plataformas. Serão lançados 194 títulos neste ano com produtoras independentes, entre projetos para TV aberta, TV paga, streaming e cinema.
Com os atores Paulo Vieira e Sophie Charlotte como apresentadores, o painel “Primetime Globo: Do Plim ao Play: aqui tem Brasil pra todo mundo” foi dividido em três blocos. Na primeira parte, Amauri Soares, diretor da TV Globo e afiliadas, mostrou que a empresa, ao criar, se baseia em um profundo olhar sobre todo o território nacional para captar a diversidade e a pluralidade que formam o país. “Fazemos televisão pensando na jornada da casa brasileira. Buscamos dialogar com todas as gerações e contar histórias que conversem com todas elas”, disse.
No segundo bloco, Samantha Almeida, diretora de criação de conteúdo dos Estúdios Globo, abordou como se cria, que formatos são possíveis e em quais plataformas. A parte final coube a Erick Brêtas, diretor de produtos digitais e canais pagos, destacou as parcerias, falando sobre a relação do mercado independente com a Globo. Ele trouxe também algumas produções que acabaram de ter seus contratos fechados ou que estão iniciando gravações e chamou atenção para o volume do que vai ser exibido neste ano.
O brasileiro e a casa multigeracional
Ao explicar o processo de desenvolvimento de conteúdo, Amauri Soares disse que esse trabalho precisa olhar para o brasileiro “com o coração”. É preciso entendê-lo em suas minúcias, em seus comportamentos e nas transformações pelas quais passou, principalmente por causa da pandemia.
Pesquisas realizadas a pedido da Globo trouxeram alguns insights que a empresa transmitiu para o mercado audiovisual no painel. O primeiro é que a casa do brasileiro é multigeracional. Em 32% dos lares moram três ou quatro gerações, o que pode incluir da avó à neta, passando por uma tia. Essas pessoas dividem as despesas da casa e somam suas rendas, que muitas vezes é um dinheiro incerto. “Entender isso é importante. A TV está no centro dessa casa. Nossa vocação é contar histórias que interessem a todos”, afirmou.
Outro ponto da pesquisa que merece atenção é o papel da mãe brasileira. De cada três casas, uma é chefiada por uma mãe pobre, negra e sem marido. Soares também destacou que o salário médio mensal das mulheres negras é o mais baixo do país e que 66% das famílias chefiadas por mulheres têm algum nível de insegurança alimentar. “Quem quiser entender a brasileira, tem de falar com essa mulher”.
Soares ainda ressaltou que o Brasil é um país campeão em desigualdade, em que 1% de sua população detém 49,6% da renda. Esses dados têm o objetivo de ajudar as produtoras independentes a refletir sobre o público para quem criam conteúdo. “Precisamos manter nosso olhar calibrado sobre a sociedade”, emendou.
Para fechar, o executivo disse que um valor apontado por 90% dos brasileiros entre os mais importantes é a fé. Mas não no sentido religioso. É a fé no futuro, a fé de que a vida vai melhorar. “Compartilho desse mesmo otimismo”, afirmou.
Com o término do BBB23, na terça-feira 26, outro momento se descortina para a Globo: é a fase da nova programação. Soares elencou a segunda temporada do reality “No Limite”, em maio, novas séries e novelas, a cobertura das eleições e a da Copa do Mundo, entre outras atrações. Uma nova campanha traz essas produções, ao estilo “Vem aí” (veja o filme mais abaixo).
A casa do artista brasileiro
Samantha revelou para a plateia alguns números dos Estúdios Globo. Definindo a empresa como “casa do artista brasileiro”, a executiva disse que trabalham lá mais de duas mil pessoas. Eles se posicionam como realizadores. “Acreditamos na construção do produto audiovisual brasileiro”. Entre 2019 e 2021, foram 900 projetos analisados, mais de 200 novos títulos e mais de 7500 horas produzidas.
Ela afirmou que são três as áreas dos Estúdios: criação e conteúdo, produtora (com modelos diversos) e agência de grandes talentos. No caso de modelos de produção, existem projetos internalizados, como a novela “Pantanal” e mesmo o BBB, em que a criação e a produção são internas; projetos híbridos em que há suporte externo para a produção, como “Aruanas”; e projetos híbridos em que a produção é contratada e os estúdios fornecem recursos como talentos e tecnologia, caso de “Sob Pressão”.
Retomada
Antes de falar de novos títulos que chegam às plataformas da Globo, Erick Brêtas fez referência aos desafios enfrentados pela indústria nos últimos dois anos com a escassez de incentivos, a readaptação das produções e a paralisação total do audiovisual em função da pandemia. “Esta é uma indústria de R$ 26 bilhões, segundo dados da Ancine de 2018. Os números não foram mais atualizados. Mas agora acreditamos estar em níveis pré-pandemia”, disse.
Brêtas ressaltou que a empresa continua investindo no mercado por meio de novas franquias, com a experimentação de mais gêneros e lançamentos de grandes produções. ”Nossa relação com o mercado independente é estável. A gente produz para várias janelas”, comentou.
Em 2022, a Globo ampliou o investimento para projetos independentes. Os 194 títulos anunciados para este ano se distribuem assim: 133 para canais lineares, 44 por meio da Globo Filmes (sendo 28 obras de ficção e 16 documentários) e 17 pelo Globoplay. Além disso, a empresa informa que terá mais de 1.089 horas de conteúdos em suas plataformas. Brêtas afirmou que o orçamento para produção cresceu 500% entre 2019 e este ano.
Fernanda Montenegro e Walter Salles nas telas
O diretor de produtos digitais e canais pagos da Globo celebrou os novos novos projetos recém-firmados pelo Globoplay ou que estão em fase de desenvolvimento devendo estrear a partir de 2023. Ele revelou seis produções. São os filmes Originais “Enterre Seus Mortos”, com a RT Features; “Dona Vitória” em coprodução com a Conspiração em parceria com a MyMama Entertainment; e “Ainda Estou Aqui”, com a Videofilmes em parceria com Mact e RT Features.
As novidades incluem as séries “Rainha”, com a Gullane Entretenimento em coprodução com Moon Lodge Pictures; “dr4g0n” ao lado da Casa de Cinema de Porto Alegre; e “O Jogo Que Mudou A História” com a AfroReggae Audiovisual e Paranoid BR. “Estamos anunciando novas produções para o Globoplay que reforçam o compromisso de longo prazo com a nossa indústria criativa", declarou Brêtas.
Fora isso, ele festejou o retorno às telas de cinema da atriz Fernanda Montenegro, em “Dona Vitória”. Com direção de Breno Silveira, o longa conta a história de uma senhora solitária que, aflita com a violência na vizinhança, começa a filmar da janela de seu apartamento a movimentação de traficantes de drogas durante meses, na esperança de chamar a atenção da polícia.
Outro retorno aos cinemas comemorado por Brêtas é o do diretor Walter Salles. Ele dirige “Ainda Estou Aqui”, seu primeiro longa de ficção em 10 anos. Trata-se de uma adaptação do livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva sobre sua mãe, Eunice Paiva, que virou ativista de direitos humanos após o desaparecimento de seu marido, Rubens Paiva, durante a ditadura militar.
Nas quatro demais produções os destaques são Selton Mello e Marjorie Estiano em “Enterre Seus Mortos”, a história de Xuxa na série ficcional “Rainha", uma narrativa sobre esports em “dr4g0n”, e o foco na ascensão das facções criminosas no Rio de Janeiro em “O Jogo Que Mudou A História”, um projeto com direção geral de Heitor Dhalia e criação de José Junior, fundador da AfroReggae Audiovisual, com quem o Globoplay já produziu as séries “Arcanjo Renegado” e “A Divisão”.